Diário estético-filosófico de um IJ (ideas jockey) ou "O que quer que possa fazer ou sonhe em fazer, comece-o. Há algo de genialidade, de poder e de magia na coragem". Goethe (1749-1832).

IJ THEORY Assim como existem DJs (disc jockeys) e VJs (video jockeys) sugiro que se considere a profissão do IJ ou Ideas Jockey. Entre outras coisas, Jockey significa manobrar em inglês. O DJ seleciona e mixa músicas, o VJ seleciona e edita imagens, o IJ seleciona, interfere e dissemina idéias: pop filosofia.

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Reflexões sobre Esquerda, Ética, Marxismo, Engajamento Político, Resistência Cultural e Crítica do Capitalismo e da Injustiça Social.
(terapia filosófica ou como evitar o sentimento de culpa através do esclarecimento de suas próprias idéias e lógica do existir. em andamento.)

Sinto necessidade de registrar/elaborar minhas reflexões em torno dos temas acima descritos. Essa necessidade parte do incômodo que sinto toda vez que alguém, próximo ou não, sustenta/afirma idéias supostamente de esquerda, contra o sistema capitalista, a injustiça social, a história da exploração dos pobres pelos ricos, a corrupção impune, a falta de ética na mídia etc
Grosso modo, considero-me um homem de esquerda, com ideais socialistas, que deseja uma sociedade mais inclusiva, igualitária... Alguém que olha todo mundo nos olhos, que trata bem quem quer que seja, humano no contato com os trabalhadores braçais e mal pagos (Seu Antônio na Turiaçu, Dona Luzinete na Domingos Ferreira).
Como então acabo me vendo frequentemente na posição do crítico da esquerda, crítico da crítica permanente ao sistema político-econômico, impaciente com os discursos de contestação ou com a afirmação constante dos mecanismos de subjugação dos oprimidos? Não seria eu a sustentar esses discursos?
Mesmo estando de acordo com os diagnósticos apresentados, o incômodo que sinto parece ter a ver com a sensação de impotência de tais realidades associada a uma ausência de predileção específica. Em boa medida esses discursos não me interessam ou não me agradam. Quero um mundo melhor, quero lutar contra as injustiças, tentar de algum modo adiar a extinção da espécie humana, mas entre amigos e mesmo academicamente prefiro falar de outras coisas. Repetir as notícias de enriquecimento ilícito, tráfico de influência, perdas internacionais, analfabetismo, miséria, na ausência de um programa concreto de luta contra essas mazelas, não me parece produtivo ou interessante, nem estética nem filosoficamente.
Isso de um lado, a revelação de um incômodo que apesar de parecer muito particular, pessoal, parece-me fazer muito sentido, pois nossas preferências e predileções revelam nossas crenças e conduzem nossas ações no mundo. Falar de aversões pessoais é também fazer filosofia, psicologia e ciência.
De outra parte, existe também a impressão (um pouco paranóica, narcisista e egocêntrica sem dúvida, afinal que importam seus sentimentos de rejeição seu ninguém) de que os que falam pela ética e pela justiça, contra o capitalismo e a corrupção, excluem qualquer outra possibilidade de ação social. Como se não falar nessas questões seria necessariamente ser conivente com o status quo. E aí outro ponto fundamental a ser refletido. Qual a conseqüência prática de nossas falas e ações? O que pode ter eficiência na construção de um mundo melhor? (A questão lembra um pouco a pregação religiosa e a mensagem cristã. Fazer o bem não importa a quem. Mas o que é fazer o bem? E por outro lado, não existe fazer o bem fora da prática religiosa? E mais: levar em conta a lição de Cristo não exigiria mudar toda a forma de viver?).
Em resumo parcial: meu incômodo diante dos discursos citados e na falta de disposição em pautá-los (não vou agora me debruçar sobre o marxismo e suas correntes contemporâneas, tampouco trata-se de fazer política partidária – sabemos a fatalidade dessa iniciativa) parece dever-se, de um lado, ao fato de em si mesmo serem temas de abordagem difícil, hipercomplexa, que não se resolve com protestos e indignações, e de outro por negarem certas sutilezas das relações sociais e de produção, que se levadas em consideração evitariam certas generalizações precipitadas.
Sim, eu quero influir para um mundo melhor, mas isso não significa apoiar a incondicionalmente a política de Chavez ou demonizar integralmente as mídias contemporâneas e o avança tecnológico.
O incômodo tem a ver também com o sentir-me excluído do grupo de pessoas que partilham o desejo de um mundo melhor.
(Continuar e aperfeiçoar).


posted by IJ Abutre _ 12:10 PM rizomas:


20.11.07
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