Diário estético-filosófico de um IJ (ideas jockey) ou "O que quer que possa fazer ou sonhe em fazer, comece-o. Há algo de genialidade, de poder e de magia na coragem". Goethe (1749-1832).

IJ THEORY Assim como existem DJs (disc jockeys) e VJs (video jockeys) sugiro que se considere a profissão do IJ ou Ideas Jockey. Entre outras coisas, Jockey significa manobrar em inglês. O DJ seleciona e mixa músicas, o VJ seleciona e edita imagens, o IJ seleciona, interfere e dissemina idéias: pop filosofia.

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Campevas, 15 de agosto de 1998. 22h35.
Hoje fez um dia lindo de sol e logo depois que acordei senti-me bastante feliz e excitado. Louco para encontrar meus amigos ou namorada, conversar, beber e ouvir música. Escrevi: ¿Acalma-te coração feliz e ansioso. Ainda não é tempo para as melhores festas. Concentra-te e despista essa enorme comoção. Não desejes todas as mulheres amadas, nem os amigos em alteradas conversações. Resigna-te e senta. Senta e pensa. Pensa a vida com o desespero dos que morrem¿. Hoje também assisti a dois filmes de Godard, disparadamente meu cineasta preferido. ¿Uma Mulher é uma Mulher¿ e ¿A Chinesa¿. Amo Godard porque me identifico com sua forma de compor as relações e sobretudo as conversações cotidianas. Adoro suas referências, suas citações filosóficas, sua forma de ir e vir com a música o tempo todo. Assistir Godard é sempre sentir-me compelido à criação, é querer desenvolver minha própria impressão das coisas. Assisti com Eduardo e novamente estivemos em desacordo com relação a quase tudo. O mais desagradável não é estar em desacordo é sentir que não compartilhamos uma mundividência nem tangencialmente. (Ainda hoje o volume da minha barriga permaneceu incomodando bastante, assim como a lembrança de que emprestei um livro para um colega da PUC que não tenho certeza de ver novamente. Em consequência lembrei que perdi de vista um livro do T. S. Eliot e que Lelo está com meu violão. Fez muito calor e agora parece haver mosquitos. Sinto falta da malhação que não faço desde terça-feira.) Pela manhã teria trocado com prazer a leitura de Uexküll por uma praia com o velho Marshall ou Uncle Pajels. Como sói acontecer, minhas conversas com o velho Dudinka terminam com lamentações da minha parte de que estamos todos sozinhos e distantes e não parecemos estar na direção ou no processo de uma vida realmente criativa e interessante. Antes que eu termine minha argumentação, Eduards faz uma careta, meneia a cabeça e começa a dizer que essa busca é minha e que da parte dele as coisas estão bastante bem resolvidas. Em parte ele tem razão. Não preciso e não devo esperar por ninguém para começar a imprimir/exprimir aquilo que quero. Por outro lado, ele não sente como eu a necessidade de que as coisas façam sentido imediatamente e sejam construídas em prazer coletivo. É como se para além de todas as dúvidas sobre o sentido, a pertinência, a relevância, a originalidade, a função de fazer qualquer coisa que se possa dar o nome de arte, além de tudo isso, ainda haja a necessidade de que seja um processo coletivo. (Gostaria de ter uma forma de tornar impossível a sintonização da rede globo na minha televisão). É a velha necessidade de que as coisas façam sentido. Vivo insatisfeito com o meu corpo e lido com ele da mesma forma como com qualquer outro aspecto da minha existência: utopicamente. Imagino o dia em que terei um corpo que considerarei admirável e acho que estou no caminho de obtê-lo. O mesmo sinto com relação a minha vida criativa, intelectual, política, sexual, afetiva, material. O tempo, no entanto, passa sustentado por essas utopias semi-conscientes e nada muda de substancial. Morrerei meio-gordo, meio-preguiçoso, meio-burro, meio-mal, meio-só e meio-pobre e meu último pensamento será de que estou no caminho de mudar tudo isso. Acho que quase todo mundo vive de forma parecida, mais ou menos conscientemente.


posted by IJ Abutre _ 7:22 AM rizomas:


23.10.06
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